Como dados geoespaciais, monitoramento de sensores e GPS podem beneficiar as empresas *

O uso de Big Data & Analytics desempenhará um papel importante na cadeia de suprimentos, na logística e na gestão de infra-estrutura. Hoje a Internet das Coisas (IoT) possibilita que sensores registrem informações ao longo de todos os pontos da cadeia de suprimentos e transportes podendo alertar os gestores sobre engarrafamentos, necessidades de manutenção e pontualidade no transporte de mercadorias. Essas informações são particularmente eficazes quando integramos o rastreamento por GPS com sistemas de informação geográfica (GIS).

 

Um exemplo seria o carregamento de remédios num recipiente selado onde devem mantidas temperatura e humidade específicas. Um sensor inserido no recipiente pode transmitir o estado da temperatura interna e a humidade e emitir um alerta se estas leituras variarem ou se a vedação do recipiente for violada.

 

As empresas que se concentram em logística também estão aplicando rastreamento e GIS para fins de planejamento de rotas e para gerenciamento de inventário. Neste caso, os caminhões são equipados com rastreadores que alimentam um sistema centralizado permitindo a visualização, em tempo-real, de informações como se o motorista está adiantado ou atrasado em suas rotas ou se ele está usando as rotas ideais para realizar suas entregas. Algumas empresas foram ainda mais longe e eliminaram seus estoques locais passando a armazenar seu inventário "em movimento" e, com isso, reduziram o excesso de encargos de manutenção de estoques e passaram a entregar produtos mais rapidamente. Se um caminhão quebra, o sistema é capaz de localizar o veículo mais próximo e o direciona para o cliente de modo que a ordem possa ser atendida.

 

Na cidade de Melbourne, Austrália, a companhia Yarra Trams gere uma rede de 487 bondes elétricos com mais de 100 anos de idade. Essa rede possui mais de 250 quilômetros de vias e 91000 peças que foram transformadas em pontos de dados. A Yarra usa um sistema que monitora a "saúde" dos equipamentos, integrando dados de sensores com dados geoespaciais. A tecnologia melhora o serviço ao cliente gerando alertas a partir de qualquer ponto geográfico. Quando uma peça ou uma parte da pista está prestes a falhar a equipe de manutenção é imediatamente enviada para reparar o problema e seus clientes nunca ficam sem os serviços. "Enquanto GIS fornece as informações sobre 'onde', através de rotinas de extração de dados, o sensoriamento remoto fornece as informações sobre 'o que' ", diz Mladen Stojic, vice-presidente de Geospatial na Intergraph. 

 

Agora o desafio para as empresas e organizações do setor público é duplo: 1) encontrar maneiras fáceis para trazer um número diversificado de fontes de dados para uma única visualização geoespacial e 2) adquirir as tecnologias que possibilitam isso.

 

Dados gerados por sensores vêm de um conjunto diversificado de fontes. Integrar todos esses dados em uma única visualização muitas vezes é trabalhoso, demorado e custoso. A boa notícia para as empresas é que já existem soluções baseadas em nuvem que permitem que os usuários utilizem um serviço que disponibiliza visualizações sob demanda. Ao fazerem a subscrição as empresas podem pagar por profissionais que não podem ter em suas equipes através de serviços e assim obtêm a integração da tecnologia geoespacial com os dados que precisam.

 

Tudo isso aponta para um aumento no uso da tecnologia geoespacial em combinação com dados de sensores e isso foi confirmado em recente pesquisa pela Deloitte Development, que prevê que em 2020 a tecnologia geoespacial será empregada para:

  • ajudar em novos campos como Geomedicina com diagnósticos clínicos que proporcionam melhor compreensão através das relações entre o estado de saúde do paciente e fatores contextuais tais como onde eles vivem e trabalham.

  • uso indoor em aeroportos e outras instalações públicas que possuem antenas wifi que podem receber sinais de GPS.

  • coleta de informações a partir de redes sociais melhorando a informação de localização e atividade do usuário.

  • um mecanismo de autenticação de segurança verificando a localização e identidade de um usuário.

  • complementar e permitir IoT.

  • criar infra-estruturas mais seguras, mais inteligentes e mais eficientes em termos energéticos.

E isso já está acontecendo. Então, como as empresas podem tirar melhor proveito dessas tecnologias?

 

1. Avalie seus objetivos estratégicos e construa um roteiro de tecnologia para a sua organização.

 

A melhor maneira de introduzir os novos conceitos dessa próxima geração de soluções é abordar um projeto de cada vez. Há um perigo inerente na opção por grandes projetos e com "big bang" inicial porque as interfaces e integrações necessárias para trazer esses dados para uma única visualização amadurecem no decorrer do tempo.

 

2. Verifique as competências de seu pessoal.

 

O relatório da Deloitte concluiu que, em 2020 , o mercado de serviços baseados em localização será uma indústria de US$ 1,3 trilhões, gerando US$ 500 bilhões em valor para o consumidor. O crescimento do uso de informação geoespacial também irá aumentar a demanda por geógrafos (35 por cento ao ano até 2020) e para cartógrafos e fotogrametristas (22 por cento ao ano até 2020). Se você não tiver alguns destes skills internamente, poderá começar a contratá-los ou a procurar por fornecedores e/ou serviços baseados em nuvem que podem preencher suas lacunas de talentos.

 

3. Considere as questões de segurança e privacidade.

 

Se você optar por terceirizar todos ou alguns dos seus dados, análises e visualizações para um fornecedor baseado em nuvem, o fornecedor deve ser auditado. O fornecedor deve ser capaz de, pelo menos, igualar os mesmos padrões de segurança e governança de informações que sua própria empresa possui internamente. Por outro lado, se você acredita que suas próprias diretrizes internas de segurança de dados precisam de revisão, agora é a hora de fazê-lo. Contratar um auditor externo para rever suas atuais práticas é uma maneira de garantir que seus dados estão no lugar correto.

 

4. O mais importante: ter uma visão clara do valor agregado que seus investimentos trarão para a sua empresa e seus consumidores.

 

No final os investimentos em tecnologia são medidos pelo valor de negócio que eles entregam. Para as empresas, este valor vem na forma de melhoria de serviço ao cliente, crescimento nas receitas e ganhos de eficiência e redução de custos que são obtidos nas operações internas. Se puder estar diante do seus stakeholders/clientes e demonstrar claramente o valor agregado de seus investimentos, você estará no caminho correto.

 

* Artigo original postado no site Geodatapoint e traduzido com autorização da autora. Mary E. Shacklett é presidente da Transworld Data, uma empresa de consultoria, pesquisa de mercado e tecnologias analíticas. Ela é palestrante e tem mais de 1000 pesquisas, artigos e publicações realizados. Ela pode ser encontrada em mshacklett@twdtransworld.com.

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